Título: Pecado na Sacristia
Gênero: Drama / Comédia
Lançamento: 1975
País: Brasil
Duração: 84 min
Direção: Miguel H. Borges
Elenco: Roberto Bonfim, Ivan Cândido, Zezé d'Alice, Maurício do Valle, Tina Luisa, Francisco Milani, Ítala Nandi, Wanda Polatchek, Zula
INFO:
Quando Pecado na sacristia estreou (em 1975), o cinema brasileiro
atravessava um de seus momentos favoráveis: o número de salas de
exibição era quase o triplo do que é hoje, e ainda sobreviviam as da
periferia, com seus ingressos mais baratos. As comédias eróticas
dominavam o mercado, e os diretores Braz Chediak, Jean Garrett, Alberto
Pieralisi, Ody Fraga e Sílvio de Abreu disputavam as maiores bilheterias
com os veteranos Mazza ropi e J. B. Tanko (Os Trapalhões). Era um
cinema vulgar, porém popular. Entre os campeões daquele ano, apenas
Guerra conjugal, de Joaquim Pedro de Andrade, e O casal, de Daniel
Filho, se dirigiam ao público mais sofisticado.
Miguel Borges surgiu no Cinema Novo em 1962, num dos episódios de Cinco
vezes favela. Logo se afastou do movimento, preferindo abordar o
submundo carioca em A canalha em crise, Perpétuo contra o esquadrão da
morte, As escandalosas, O último malandro e O caso Cláudia. Alguns
desses filmes foram sucesso de crítica ou de público. Borges não dirige
desde 1980. Seu cinema pode ser voluntariamente cafajeste, mas sempre
será antenado. Sim, porque MB é um autor, mesmo quando trabalha dentro
do esquema comercial. E este filme, obra intelectual que corteja o
popular, é uma excelente prova disso.
Pecado na sacristia é considerado pela maioria o seu melhor filme. Uma
incursão às origens nordestinas, já que o cineasta nasceu no Piauí.
Também uma volta às suas raízes cinematográficas, pois é o que ele fez
de mais parecido com o Cinema Novo. Lá estão os planos-sequência, os
planos gerais, a câmara na mão, a interpretação exacerbada, a ausência
do plano/contraplano, as elipses e as alegorias.
A contribuição de Pecado na sacristia para o sobrenatural no cinema
brasileiro é a inclusão de entidades do folclore nacional, como a
mula-sem-cabeça e a mãe-d’água, distantes da Transilvânia e da palidez
dos personagens góticos importados. Uma possibilidade artística muito
promissora, mas que, hoje, tantos anos depois, ainda permanece quase
inexplorada. Infelizmente.
João Carlos Rodrigues
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| Ivan Cândido e Maurício do Valle |
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| Maurício do Valle e Ivan Cândido |
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| Francisco Milani e Ivan Cândido |
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| Ivan Cândido e Roberto Bonfim |
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| Francisco Milani e Ivan Cândido |
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| Roberto Bonfim e Francisco Milani |